OUÇA: Documento oficial da SPTrans trata sobre fim dos cobradores de ônibus na capital paulista com viações

 

A partir de abril, SPTrans vai reduzir 2,5% da remuneração pela “desmobilização” de cobradores em linhas que em que há possibilidade de operar sem esse tipo de função

ADAMO BAZANI

Colaborou Jessica Marques

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A SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora dos transportes da capital paulista, mandou ofício às empresas de ônibus que atuam nos subsistemas estrutural e de articulação regional para tratar do fim dos cobradores. Estes dois subsistemas são operados pelas chamadas “viações tradicionais”.

Os ônibus do subsistema local de distribuição (ex-cooperativas) já operam sem cobradores desde 2014.

O documento, datado de 10 de janeiro de 2022, pede às empresas de ônibus “informações referentes à potencial desmobilização dos cobradores”.

Ainda de acordo com o despacho interno, a partir do mês de abril de 2022, conforme aditivo à concessão das companhias de ônibus, as despesas de pessoal com cobrador não farão mais parte da tarifa atual de remuneração das viações como agora.

Assim, a partir de abril, a cada mês, a SPTrans vai deixar de pagar 2,5% do valor correspondente ao custo dos cobradores às empresas de ônibus.

As empresas terão de informar quais são os ônibus que poderão circular sem cobrador.

O presidente do Sindimotoristas, sindicato que representa os trabalhadores, José Valdevan de Jesus Santos (Valdevan Noventa) disse ao Diário do Transporte que a entidade trabalhista não foi chamada para discutir e que, poderá haver paralisações e protestos na cidade.

“Nós estamos conscientizando os motoristas a não colocar um ônibus sequer no sistema se não tiver cobradores. Foi o maior desrespeito principalmente pelo poder público” – afirmou Noventa ao acrescentar que nos dias 18 e 19 de março será feito um seminário do sindicato que, entre outros temas, vai abordar a presença dos cobradores.

Pelo que a reportagem apurou, não haverá demissão em si dos cobradores, porém, não poderão ser mais contratados profissionais novos para esta função.

Todo o procedimento deve ser gradativo.

Também é informado no mesmo documento que no dia 05 de janeiro de 2022 o assunto foi discutido em reunião entre a SPUrbanuss (sindicato que representa as empresas de ônibus) e a Superintendência de Engenharia Veicular e Mobilidade Especial da SPTrans.

Um documento com sugestões de layout interno dos ônibus de diferentes portes com e sem cobrador também está circulando entre as empresas.

Diário do Transporte procurou a SPTrans que explicou que 5,7% dos passageiros fazem o pagamento da tarifa em dinheiro e que já há uma transferência natural destes profissionais (cobradores) de, em média, 2,5% ao mês, para outras funções, em linhas elegíveis, ou seja, aquelas em que há possibilidade de operar sem esse tipo de função. A SPTrans negou que haja determinação para as empresas retirar cobradores.

Veja a nota na íntegra:

A SPTrans informa que desde 2014, todos os coletivos do sistema local já operavam sem cobrador.

Atualmente, no sistema estão cadastrados 14.041 cobradores. Em todo o sistema, apenas 5,7% dos passageiros fazem o pagamento da tarifa em dinheiro (dado de novembro de 2021). Com o avanço da tecnologia e cobrança automática das tarifas no transporte coletivo, esses profissionais já passam por programas de reciclagem nas empresas e são reaproveitados pelo sistema em outras atividades como: motorista, fiscalização, manutenção, administração, entre outras.

Não há determinação para retirar cobradores do sistema. Atualmente, já há uma transferência natural destes profissionais de, em média, 2,5% ao mês, para outras funções, em linhas elegíveis, ou seja, aquelas em que há possibilidade de operar sem esse tipo de função. No último aditivo contratual firmado junto às concessionárias, ficou determinado que a remuneração será ajustada mensalmente, a partir de abril, para considerar o custo efetivo da mão de obra na operação destas linhas.

 

 

                  

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Colaborou Jessica Marques

Fonte: Diário do Transporte

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